terça-feira, 11 de setembro de 2012

O QUINTO E SEXTO DIAS.

Domingo, 29 de julho de 2012 / Terça feira, 31 de julho de 2012.


Nick, testando os tambores.

Terminada a fase um, gravadas as 4 primeiras músicas, era hora de reiniciar todo o processo criativo. E aí valeu a experiência prévia, a gravação das guias e da bateria de mais 4 músicas rolou muito mais rápida e tranquila.

O que, na minha opinião, foi muito importante, principalmente porque nessa segunda etapa haviam músicas que pensávamos ser bem mais difíceis e elaboradas. Mera impressão, que se desfez em pleno estúdio.

Vale dizer que ter ensaiado bem as músicas e definido exatamente as partes de cada instrumentista ajudou muito na "hora H".

A bateria ficou incrível, ouso afirmar que é a sonoridade que mais me impressionou, principalmente porque muitas demos que escutamos e - mais pertinente dizer - nossas tentativas de gravação "caseiras" jamais resultaram em um som tão definido, tão dentro das nossas melhores expectativas.

Crédito pro Nick, que, como sempre, nos presenteou com linhas de percussão criativas e poderosas, e executou todas as 4 músicas super rapidamente e em poucos takes.

Bateria definitiva de 4 músicas em menos de 4 horas...

Crédito pro pessoal do estúdio (Bagui e Paulo Henrique) que conseguem tirar um excelente som de bateria, são mestres no domínio do equipamento e da sala que possuem.
Luiz Paulo e Paulo Henrique. Ocupados com a "baixaria".


Na manhã de terça feira, sexto dia de gravação, fomos apenas eu e o Luiz Paulo pro estúdio. Ainda empolgados com a sonoridade da bateria, a conversa não poderia ser outra: a "baixaria". E a ansiedade em ver aquele trabalho todo concretizado. Em poder escutar nossas músicas, nossa criação, em um CD.

Novamente, valeu - e muito - a experiência prévia. Repetimos a mistura do baixo em linha e do amplificador microfonado, resultando em um som definido e encorpado.

As faixas do baixo foram gravadas rapidamente, com a precisão de sempre. Aliás, se o L.P tem uma qualidade que merece ser elogiada é a sua constância em técnica e feeling. Sem falar numa autocrítica ferrenha, uma busca pela "linha perfeita" que beira a obsessão e o faz sempre querer fazer MAIS e MELHOR. Admiro muito isso nele.

Saímos do estúdio empolgados, afinal, em dois dias, pouco mais de 6 horas, já havíamos terminado quase metade do serviço.

A parte mais demorada nos esperava, as guitarras, característica e personalidade mais ressaltadas no som da RURAL. E tudo ficou incrível.

Mas essa estória eu deixo pra outro dia.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

O QUARTO DIA.

Quarta Feira, 17 de julho de 2012.

Xandão: não aguenta, bebe água.

E chegou o dia de gravar as vozes. Depois desse passo, as primeiras quatro músicas da banda estariam gravadas, restando o importante trabalho de mixagem e a masterização.

Aqui vou abrir um parêntese, só pra dizer que decidimos mixar todas as músicas em conjunto, pra manter a coesão no resultado final. Assim, toca gravar TUDO antes, pra depois fazer a "sintonia fina" do Cd Demo.

Sempre achei a gravação das vozes o momento mais difícil e tenso... começa na preocupação em não ficar gripado, ainda mais se estamos em pleno inverno e eu não tenho nenhuma imunidade, graças aos medicamentos que tomo. Mas consegui resistir bem.

Em segundo lugar vem o eterno desconforto em se escutar a própria voz gravada. Acho que isso acontece com todo mundo que canta, em menor ou maior grau. Mas isso é natural: é só a diferença entre se ouvir "de dentro" ou "de fora" do corpo.

ABDUZIDO BLUES: foi a primeira música escolhida, seguindo a ordem já tradicional. A gravação transcorreu sem muitos problemas, é uma música simples e direta, só as correções de praxe, visando uma entonação e uma pronúncia mais nítidas. Sempre tentei cantar essa música de uma forma mais "bem humorada", bem de acordo com a letra e com o tema. Cantar blues em português, pra mim, é um desafio danado, as palavras sempre parecem soar melhor, mais "rasgadas", mais "autênticas" em inglês. Mas isso é mais influência do que eu ouço do que qualquer outra coisa. No final das contas, acho que fiz um bom trabalho.

VIAJANDO NA RURAL: essa música foi um pouco mais problemática. Começando pelo "cansaço na voz", problema que mais tarde revelou-se ser apenas decorrência de um baixo retorno nos fones de ouvido. Não tivéssemos detectado isso e a gravação teria que ficar pra depois!

Fica o ensinamento: SE OUVIR é super importante. Muitos cantores gostam de que sejam inseridos efeitos na hora da gravação, um eco, uma compressão... comigo a coisa foi crua mesmo. Prefiro assim. Vamos deixar as "maquiagens" tão necessárias pro momento da mixagem. Efeito "durante", na minha opinião, influencia demais no resultado final.

A melodia nela, para o cantor, é mais complexa nessa música. Muitas frases sustentadas, sem falar em uma frase decrescente logo antes do solo, que foi criada pra dar a impressão de que o cantor já tinha "embarcado na viagem", em qualquer dos sentidos que o ouvinte queira compreender. Também senti dificuldades em uma alteração que fiz inconscientemente, quando tocamos as música nos shows, uma alteração de tom em algumas frases do refrão, que acabou entrando no tom de um dos backing vocals. Valeu muito a orientação do Gustavo e do Paulo Henrique, mesmo porque tiveram que ter paciência comigo, essas mudanças de "última hora" sempre me deixam meio tenso. Mas valeu o esforço: a música ficou muito legal.




PÉS NA ESTRADA: nossa primeira música é o meu "calcanhar de aquiles" personalíssimo, sempre fiquei desconfortável com o tom em uma parte da música, que foi alterada há algum tempo, para acompanhar uma modificação nas guitarras. A verdade é que realmente ficou muito melhor, admiro demais a visão que o Gustavo tem em relação às músicas. Talvez por essa ansiedade, a tal parte foi a mais difícil de toda a sessão. Mas o resultado ficou muito bom, principalmente as partes mais fortes e o final, que tem uma sustentação vocal que sempre me lembra os tempos de cover do The Cult. Ficará registrado o meu singelo e quase anônimo tributo a um dos vocalistas que eu mais admiro: Ian Astbury.

Gustavo, se preparando pra "BERRAR" pela Liberdade.

LIBERDADE: é de longe a música mais rápida e direta da banda. Aqui, pega mais o fôlego e a potência vocal mesmo. Mas as linhas de voz não têm muito mistério, dentre todas, foi a música que saiu mais facilmente. Ainda mais porque essa música é totalmente cantada a duas vozes, eu e o Gustavo. Acho que o trabalho "pesado" mesmo ficou pra ele, praticamente "gritar" a música inteira. Enfim, ficou muito bom!

                                      Fernando, Gustavo e Xandão - gravação dos Backing vocals.

A gravação dos backing vocals transcorreu sem grandes problemas, apesar do Fernando e do Gustavo estarem bem gripados. Por isso, em alguns poucos momentos, a voz mais aguda também foi gravada por mim. Destaque para a Viajando na Rural e para a Pés na Estrada. Concluída essa etapa foi bem legal dar uma breve "viajada" com o Paulo Henrique no tratamento de um vocal de apoio e começar a sentir como vai ser bacana - até mesmo divertido - o trabalho de mixagem. Ansiedade pouca é bobagem!


Vale dizer que o Luiz Paulo retornou ao estúdio poucos dias depois, para regravar suas linhas de baixo, usando um sistema de captação dupla do áudio: em linha e com o amplificador microfonado. O resultado final ficou incrível.

Assim terminou a primeira etapa, as primeiras quatro músicas da RURAL, estão devidamente gravadas. e, sem falsa modéstia, essa Demo vai ficar, literalmente, ENCAPETADA. 



segunda-feira, 16 de julho de 2012

O TERCEIRO DIA.

Sábado, 14 de julho de 2012.


Uma das coisas mais curiosas de todo esse processo é a ansiedade pra continuar a gravação. Uma mistura inexplicável de querer que tudo fique pronto rapidamente, mas, ao mesmo tempo, de estar adorando aquilo tudo e desejar que a experiência se prolongue um pouco mais.

Nossa "missão" no sábado era terminar as guitarras de duas músicas e, quem sabe, timbrar a gaita, afinal, seria minha primeira experiência com o meu green bullet (microfone próprio para gaitas) conectado a um amplificador valvulado.

Como sempre, chegamos no estúdio e encontramos tudo preparado. Inclusive o café - essencial para muitos músicos, e que, diga-se de passagem, o Bagui prepara com maestria.

Encontramos os amplificadores já montados e microfonados; e nas duas músicas restantes optamos por manter a combinação do cabeçote Meteoro e caixas Mesa Boogie. 

Apesar de termos levado todo o nosso "arsenal", as músicas também pediam a configuração "clássica" da Rural Willys: Strato e Les Paul. Dessa vez, a minha ruivinha semi acústica foi deixada de lado...


LIBERDADE: de longe a música mais "rápida e pesada" da banda, o seu climão "morrer na estrada acelerando o máximo" favorecia muito a pegada de ganho mais alto da Les Paul, que foi a guitarra escolhida para o Fernando gravar a base. Bastou apenas uma pequena adaptação à nova virada de bateria na entrada, modificada em relação àquela que vínhamos tocando ao vivo. O timbre conseguido foi excelente, um overdrive na medida certa, tomando o máximo de cuidado para manter o espírito rock n' roll clássico da música, sem invadir o território mais pesado do hard rock.

 

A LIBERDADE é uma música que foge à arquitetura comum da maioria das composições, é mais "direta" e possui um solo "dividido" entre os guitarristas. Assim, na sequência, o Fernando também gravou seu solo, mantendo as mesmas configurações de instrumento e de efeitos.

Em seguida, o Gustavo assumiu o posto para gravar suas partes. Primeiramente, gravou mais um canal de base, pensada para ser  "complementar" à linha adotada pelo Fernando, mas muito mais fluida e variada. A guitarra utilizada foi a Fender, também mudando a configuração dos efeitos. Nessa música a sonoridade de cada uma das guitarras é  facilmente reconhecível, por serem bem distintas.


O Gustavo também preferiu manter a configuração de equipamento em seu solo, apenas mudando alguns pedais. O solo também foi executado à perfeição, em poucos takes.

O resultado final, na minha opinião, ficou super fiel à energia da música quando a executamos ao vivo, mal posso esperar o momento em que o Paulo Henrique vai aplicar a sua "magia", inserindo os efeitos e mixando todos os instrumentos. 

Já consigo imaginar essa música virando HINO dos clubes de motociclistas (perdoem o exagero de um "velho" empolgado), pois a letra versa sobre isso, a liberdade e a energia de se pegar uma moto e sair por aí, "sem destino". (Abraços da RURAL aos nossos amigos Bodes do Asfalto, por todo o país).



PÉS NA ESTRADA: a próxima música foi a primeira composição da Banda. Aliás, é muito interessante pensar que no final de novembro do ano passado estávamos tocando essa música ao vivo pela primeira vez e agora, menos de 8 meses depois, estamos gravando um cd demo com 9 músicas autorais!

A base da  música foi gravada pelos dois guitarristas utilizando a mesma guitarra (Fender Strato), com uma regulagem de overdrives mais leve, para dar espaço aos arranjos. Que, aliás, ficaram incríveis, principalmente a "ponte" antes do refrão, que ganhou ares de psicodelia pelo emprego  do Phase 90 (Gustavo) e do  Univibe (Fernando). Quem só conhecia a música pelos shows vai se surpreender.

Em relação ao solo, a ideia inicial seria utilizar também a Strato, mas uma sugestão do Paulo Henrique, de se aproveitar o maior ganho da Les Paul foi aproveitada com um resultado bem mais interessante. também testamos uma combinação de fuzz e drive, mas o timbre ficou muito carregado para a música em questão. No final, foi aproveitada a Les Paul utilizando o Ibanez Ts 808 somado ao Menatone King of Britains. Um take  do resultado final vocês acompanham no vídeo abaixo:
 


Em pouco mais de 2 horas as duas músicas estavam prontas. O que abriu espaço para que a intenção inicial de "timbrar" a gaita se transformasse na gravação definitiva, pois havia tempo suficiente pra isso.



Após um bom tempo procurando uma sonoridade que me agradasse, inclusive utilizando alguns pedais de efeito (plugins, que foram descartados), chegamos a um melhor resultado utilizando o amplificador Meteoro com a sua caixa (modificada com falantes MGM Music) em substituição à caixa Mesa Boogie. Conseguimos um som excelente, que seria ainda melhor se eu tivesse um valvulado de baixa potência, para que pudesse utilizar em seu ganho máximo, obtendo assim aquela "distorção" clássica da gaita elétrica de Blues. Os 50w do Meteoro se revelaram potentes demais para mim. Contou também a minha inexperiência na área. Mas não ficou ruim, muito pelo contrário!

Na Viajando na Rural, utilizei uma execução mais forte, com maior utilização de tremolos e bends, porém optei pela economia e pelos "espaços" na gaita da Abduzido Blues, quase como uma linha de base, que ficou mais "discreta" e bem dentro daquilo que eu visualizava pra música. Às vezes, menos é mais...

O resultado final ficou muito bom, infelizmente o vídeo abaixo não captou a sonoridade exata da gravação, o que escutaremos é o som acústico da gaita em um dos takes (que não é o final):




E assim chegamos ao fim de mais uma sessão no Bagui Sons. Agora é esperar a terça feira para começar (e quem sabe, terminar) a gravar os vocais. Grande abraço pra todos.




quarta-feira, 11 de julho de 2012




O SEGUNDO DIA.

Terça Feira, 10 de julho de 2012.







            Detalhe de uma das configurações de Amplificador / caixa, usadas na gravação.



FINALMENTE chegou a terça feira. Um dos problemas de começar a gravar o seu trabalho é a ansiedade. É muito bom ver aquilo que a banda criou tomar uma forma definitiva. Depois do proveitoso trabalho do Domingo, chegou o dia de gravar as guitarras.

Acredito que seja um dos momentos cruciais, e talvez o mais demorado, pelo grande número de instrumentos, amplificadores e pedais de efeitos envolvidos (nossos e do estúdio).

Aliás, vale abrir um parêntese: uma outra dica importante é saber exatamente - ou pelo menos ter uma boa noção - a sonoridade que você quer obter em cada música. Porque as alternativas são infinitas, e ficar fazendo experimentações sonoras pode durar muitas horas, senão dias. E estamos tratando aqui de um orçamento LIMITADO.

Também foi muito legal nessa noite estar com TODA a banda presente, além da minha esposa Fabiana (autora de todas as fotos que ilustram esse blog) e da Simone, esposa do Luiz Paulo. "Família RURAL" quase toda reunida, o que ajudou bastante a diminuir as tensões do trabalho.



                                Paulo Henrique, Gustavo e Bagui, em meio à alquimia.


Como sempre, chegamos ao Estúdio Bagui e encontramos tudo preparado, um excelente rack amplificador da MESA Boogie (recheado de válvulas) e uma ótima caixa da mesma marca, com falantes Celestion, além de uma boa seleção de pedais de efeito, tudo já conectado e microfonado. Aquele profissionalismo e atenção de sempre.  

Levamos conosco um cabeçote valvulado Meteoro Falcon "Faíska" e uma caixa de mesma marca com 2 falantes 12" da MGmusic. Levamos também uma Fender Strato, duas Les Paul e a minha Ibanez AS73 semi acústica e TODOS os nossos pedais de efeito. 





                                                              Irmãos esverdeados...


O estúdio ficou mais ou menos parecido com uma Disneylândia para guitarristas.

A estratégia utilizada na gravação das guitarras foi um pouco diferente: para manter as configurações de efeito, microfonação e amplificadores selecionadas, resolvemos gravar os takes das guitarras base e os solos em uma mesma sessão finalizando cada música individualmente.

Válvulas "esquentadas", volumes regulados, fomos para a técnica, deixando os amplificadores "sozinhos" na sala de gravação. 





                                                    Rack Amplificador Mesa Boogie.

ABDUZIDO BLUES: foi a primeira música selecionada. Por se tratar de um blues tradicional, sem grandes ousadias em relação aos timbres, optamos por gravar a base 1 com a Semi- acústica (apos testar as duas Les Paul) e  a guitarra base 2 e os solos com a Strato. Foi utilizado o cabeçote Meteoro e as caixas Mesa Boogie.

Foi a "estréia"  em estúdio do nosso guitarrista Fernando Silva, e, apesar do natural nervosismo e de uma gripe forte - e febre - o garoto mandou SUPER bem Poucas correções, em sua maioria pequenos detalhes de execução. Mandou tão bem na minha "ruivinha" que até me deu ciúmes... mas já passou. 



                         Fernando e a "Jessica Rabbit", minha guitarra ruiva.



Nesse momento pesou muito a opinião e a experiência do nosso "produtor/operador de som", Paulo Henrique, que deu ótimas sugestões e o total controle e conhecimento do Gustavo Ruz, que já tinha em mente toda a sonoridade que queria pras músicas.

Outro detalhe importante foi a reunião, na noite de segunda feira, de boa parte da banda, que trabalhou por horas em conjunto cada parte de guitarra das músicas que seriam gravadas no dia seguinte, fixando ideias e aparando as arestas, pois muitas músicas são tocadas de uma forma ao vivo, mas precisam ter um outro enfoque e pegada na hora da gravação.







                               As mãos são do Gustavo. A Strato, também.

A gravação dos solos transcorreu sem problemas, um timbre matador e a pegada de sempre. Optamos por gravar exatamente os mesmos solos que são realizados ao vivo, pra manter a identidade da banda.

É uma espécie de decisão involuntária em relação aos shows da banda: manter os solos originais em nossas músicas e ousar no improviso dos covers, pra trazer um pouco de frescor e personalidade para nossas interpretações.

VIAJANDO NA RURAL: a segunda escolhida era uma música de execução e timbres um pouco mais elaborados. Por seu caráter mais roqueiro, optamos em gravá-la toda com as Les Paul. Acabamos selecionando apenas uma das guitarras, pois a Epiphone tinha uma "voz" mais grave que não se encaixou muito bem naquilo que propusemos para a faixa.

Novamente, a visão do Paulo Henrique foi providencial, pois alteramos a concepção inicial de gravar um canal para a base e o outro para os solos e arranjos em prol de um esquema que incluía mais um canal de guitarra base, não em toda a música, mas preenchendo de uma forma mais completa os espaços "entre os vocais".



             Debatendo as Escolhas: Fernando, Xandão, Gustavo, Bagui e Paulo Henrique.

Não é a minha intenção entrar em minúcias técnicas como os pedais utilizados e a ligação em cada momento da gravação, mas vale ressaltar que nessa música, desde sua composição, o MXR Phase 90 foi o diferencial , criando um timbre que em muitos momentos soava como um pedal de wah.

Fernando e Gustavo mantiveram o rendimento, poucos takes, a maioria corrigindo pequenos erros de execução ou apenas para selecionar e comparar timbres, principalmente o mix de overdrives e fuzz.



No final de mais 3 horas bem utilizadas, estávamos com as guitarras de duas das 4 músicas da primeira etapa finalizadas.

No sábado vamos voltar para gravar as guitarras nas outras duas faixas. Fica a promessa de um final de semana muito divertido e proveitoso!

Até lá.




               Equipe reunida no final de mais um período de muita criatividade.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O PRIMEIRO DIA.
Domingo, 08 de julho de 2012.


                   Xandão, gravando a voz na guia, sob o olhar atento de "dois" Gustavos.                

Como escrevi anteriormente, não temos condições financeiras e a disponibilidade para nos "internar" em um estúdio e deixar girar o "taxímetro". Por isso mesmo é interessante a organização de tudo.



Nosso CD Demo deve ter 10 músicas, sendo que uma delas será "repetida": uma regravação acústica. Assim, nós optamos por gravar em blocos, inicialmente programados para durar 10 horas cada.




Chegamos no estúdio e já encontramos a bateria escolhida montada, microfonada e"timbrada". Prova da atenção e competência dos nossos amigos Bagui e Paulo Henrique. 10 minutos após os cumprimentos iniciais já estávamos botando as mãos à obra!






Para a "primeira fornada", escolhemos 4 músicas: Abduzido Blues, Viajando na Rural, Pés na estrada e Liberdade. Foram escolhidas porque são algumas de nossas composições mais antigas e mais tocadas nos shows. 




O primeira preocupação foi anotar - ainda em casa - os BPM (batimentos por minuto) das músicas. Isso facilitou muito na hora do operador da mesa programar o metrônomo.


                                                       Nick, preparado.                                                    
                

Antes de tudo, nos preocupamos em criar as "guias" para a gravação da bateria. No nosso caso, incluímos nessa guia o baixo, a guitarra e a voz, além do onipresente metrônomo. Uma guia bem feita é muito útil para orientar o baterista, assim como para servir de referência para toda a gravação.

Gravar é repetir. Seja em busca de uma performance mais coesa, seja em busca DO take perfeito. Da "boa".

E nisso, não pudemos reclamar do Nick. Seguindo as orientações do Paulo Henrique e algumas ideias do Gustavo, em pouco mais de 3 horas estávamos com tudo gravado: um ótimo som de bateria, timbre do jeito que queríamos, mais "fechado", alto e claro, mas nada muito "esporrento".

Como foi legal poder ESCUTAR a linha de bateria! Verificar a criatividade e o trabalho do nosso amigo no instrumento que ele domina. Particularmente escutei naquela gravação detalhes que nunca havia percebido em todo esse tempo tocando e ensaiando a poucos metros do baterista!

É claro, erros aconteceram. Sempre acontecem! É no silêncio do estúdio e na qualidade dos monitores que os menores detalhes viram os "maiores monstros"!

Felizmente, foram corrigidos de pronto, preferencialmente regravando todo o take, deixando para corrigir por "emenda digital" apenas poucos e pequenos detalhes, para que o resultado final não virasse um "frankenstein" todo costurado, com variações de volume e pegada.



A LIBERDADE foi o "osso duro" da sessão, acabamos decidindo por gravá-la um pouco mais rápida do que vínhamos tocando normalmente, essa mudança no metrônomo e as guitarras no contratempo foram uma rasteira no nosso sofrido baterista. A solução que encontramos foi a de fazer a faixa em "tempo real", sem o metrônomo, o que não é muito aconselhável por dificultar o trabalho do operador de som, que perde algumas ferramentas como a marcação dos compassos, para trabalhar a música mais tarde. Apesar de tudo, a pista ficou pronta e muito boa.
                                                                 


          LUIZ PAULO EM PLENA GRAVAÇÃO.                                                                    

O trabalho rendeu tanto que nos sobrou uma hora das 4 inicialmente programadas. E foi tempo mais do que suficiente para o Luiz Paulo gravar o baixo em todas as 4 músicas. Preciso e tranquilo, gravou quase todos os takes rapidamente, pouca coisa mereceu uma nova passada, os erros de execução foram mínimos.

Optamos por gravar o baixo em linha (diretamente na mesa), passando apenas por um pré-amplificador valvulado. O timbre ficou excelente.

Novamente fiquei empolgadíssimo quando escutei o trabalho do LP, linhas de baixo super criativas, poderosas mesmo. Essas coisas só o estúdio nos propicia.

E esse foi o resultado do primeiro dia. Super produtivo: guias, baixo e bateria de 4 músicas em 4 horas Na volta pra casa, ouvíamos felizes no som da Jandira (duas caixas de abelha frontais) o incrível resultado de nossa primeira experiência como BANDA dentro de um estúdio de gravação.

É a RURAL WILLYS engatando as primeiras marchas. E com a roda direita!

Nessa terça feira vamos gravar as guitarras. Está todo mundo super animado. E ansioso. Vamos aguardar os próximos capítulos!



PRIMEIROS PASSOS.



Gravar não é o simples processo de apertar o "REC" e mandar ver. Por outro lado, já foi muito mais difícil. E infinitamente mais caro. 



Vivemos uma época onde a tecnologia e os processos de gravação facilitaram a obtenção de bons resultados em home studios, com o uso de um notebook, uma interface e alguns programas e plugins.



Aliás, as primeiras músicas da RURAL WILLYS foram registradas exatamente dessa forma, em um quarto sem tratamento e com o uso de baterias programadas ou de uma bateria eletrônica conectada ao notebook. O resultado foi, como podemos dizer, apenas satisfatório. Não nos envergonhou, mas também não conseguimos capturar a essência e a energia da banda. Por isso a decisão de se partir para um estúdio.


Muitas pessoas possuem o equipamento e o conhecimento necessários para se fazer uma excelente gravação. A coisa se torna muito mais fácil quando se trata de um disco solo de um músico, basta acessar sites como o YOUTUBE para conhecer uma multidão de pessoas expondo suas criações, geralmente solos de seu instrumento acompanhados por um playback, por um ritmo pré gravado. Isso é válido. Mas não funciona tão bem, ao meu ver, quando se trata de uma banda.

Muitas bandas conseguem resultados incríveis com a bateria pré-gravada, ou com a bateria montada eletronicamente. Nós, particularmente, sentimos muito a falta daquela característica orgânica do som, dos pequenos detalhes HUMANOS que fazem a diferença na levada, no ritmo, na criatividade. Do timbre e do ambiente, da pressão do som de uma bateria gravada em estúdio. Dos pequenos erros e acertos que transmitem ao som, a personalidade do músico.

A escolha do estúdio, então, se sujeita a uma infinidade de questões técnicas, mas, no fundo, as mais decisivas envolvem aspectos financeiros. Uma vez tomada a decisão, capitalizar a banda é sempre a decisão mais acertada. Muitas bandas entram em estúdio (naqueles que ainda se arriscam a essa prática) procurando gravar "no pendura". E se descobrem, no final de tudo, falidas. Muitas vezes prejudicando profissionais dedicados nesse processo. 



Nós decidimos, desde o começo, guardar TODO o dinheiro arrecadado com nossas apresentações, visando possuir fundos para a gravação. E, mesmo após 2 anos de economia, descobrimos que tudo o que tínhamos não pagaria metade dos custos de gravação e mixagem em alguns estúdios aqui da região. 



ENSINAMENTO nº 1: pesquisar preços e traçar metas é muito válido. Assim como é mais sensato, no caso de bandas como a nossa, que não vivem do seu trabalho, guardar o valor integral do cachê de uma apresentação do que diluí-lo entre todos os componentes.



Uma vez "capitalizada", o segundo passo é encontrar um estúdio que se adeque, em custo e benefício, às necessidades da banda. Vale procurar aquele conhecido que já gravou ou trabalha em um estúdio, pesquisar sobre as gravações das bandas de sua região que possuam um estilo semelhante, pedir a opinião de pessoas do meio artístico e até mesmo buscar na internet.  Afinal, um estúdio distante de sua cidade inclui, implicitamente ao custo de gravação, gastos com transporte, alimentação, às vezes até mesmo hospedagem.

A maioria dos estúdios trabalha com períodos de gravação. Alguns cobram por períodos de 4 horas, outros cobram por hora. Muitos fazem preços promocionais por "pacotes". Isso é super útil.



Encontrado o estúdio, nada melhor do que uma visita ao local. Olhar a conservação e qualidade dos equipamentos (olhar além da "MARCA"), o espaço, a facilidade de acesso, conversar com as pessoas que ali trabalham, tudo isso é importante. 



O conhecimento e o olhar, a opinião de uma pessoa "de fora da banda" que esteja diretamente envolvida no processo de gravação, também são muito importantes. Muitas vezes, mais importantes até do que a mera qualidade e quantidade dos equipamentos de um estúdio. Afinal, mais vale a experiência, o conhecimento e o domínio que a pessoa por trás da mesa de som possui daquilo à sua disposição do que um técnico mediano e sem criatividade perdido entre equipamentos caríssimos ou de última geração.

Em se tratando de bandas pequenas e independentes, isso é um imenso diferencial. Ainda mais quando o operador de som e o produtor musical se mesclam em uma só pessoa, como acontece nos pequenos estúdios.ENSINAMENTO nº 2: mais vale um bom profissional com equipamentos medianos do que um profissional "mais ou menos" com equipamentos de última geração. Ter humildade para escutar a opinião alheia também é importante.

Capitalizada a banda, escolhido o estúdio, feito o "reconhecimento do terreno", o próximo passo é a ORGANIZAÇÃO. A gravação de uma única música é um processo diferente da gravação de uma série de músicas que serão reunidas em um mesmo CD. Tudo precisa soar COESO. 

Muitas bandas preferem gravar "música a música", mas nem sempre isso é o mais sensato. Muitas vezes é necessário OTIMIZAR o tempo disponível, gravando várias faixas do mesmo instrumento, de maneira a aproveitar a montagem dos equipamentos, o posicionamento de microfones (no caso das guitarras e bateria) e muitos outros detalhes aos quais retornaremos nas próximas postagens.

Nós decidimos dividir a gravação do cd em blocos. Escolhemos 4 músicas para o primeiro, 4 para o segundo e 2 ou 3 músicas para o último.

Nem sempre uma gravação pode ser feita com a banda "internada" em um estúdio. A disponibilidade de horários dos membros da banda e do estúdio é muito importante. Organizar o "calendário" também é super válido.

Isso feito, vale dizer que a banda precisa DOMINAR as suas músicas. Estar com tudo muito bem preparado e ensaiado. possuir a noção exata de como quer que sua música soe. Dos TIMBRES.

Estar acostumada com os tempos (bpm) de cada uma delas, e cada músico deve estar confortável com seu instrumento e com o arranjo que desenvolveu. Na hora da gravação, mais vale "simplificar" uma linha do que "complicar" a coisa toda. A firmeza na execução é muito importante. Não raro, muitos músicos iniciantes ou despreparados aparecem em um bom estúdio com equipamentos de última geração, portando instrumentos caros, e não "entendem" por que o som não está saindo legal... e ainda colocam a culpa no técnico!

ENSINAMENTO nº 3: Ensaiar é ECONOMIZAR. Organizar é ECONOMIZAR. O estúdio é o lugar onde cada detalhe do seu som, da sua execução, será amplificado ao máximo. Insegurança e incapacidade possuem seu preço em horas de estúdio e se refletem diretamente no "produto final".


         
Da esquerda p/ direita: Iliandro (Bagui), Luiz Paulo, Paulo Henrique, Gustavo e Nick.



A Rural Willys escolheu o estúdio BAGUI SONS, de Varginha. Custo-benefício que se encaixa como uma luva às nossas exigências e expectativas. Muitas bandas bacanas da região já gravaram e ensaiaram lá.

Estamos sendo atendidos pelo Bagui e pelo Paulo Henrique, o mix de "produtor e técnico de som" que está usando todo o seu conhecimento pra que as nossas músicas fiquem exatamente como sonhamos.

Nos próximos posts, vou começar a descrever o dia a dia das gravações. 















DANDO A PARTIDA.





Desde o dia em que a RURAL WILLYS começou a compor suas primeiras músicas autorais, eu vinha amadurecendo a ideia de criar um blog para acompanhar todo o processo de gravação do nosso primeiro CD DEMO.  Este blog não pretende esmiuçar questões técnicas, apenas funcionar como um diário que trará curiosidades e - porque não - algumas informações úteis para quem, como nós, está gravando o seu material pela primeira vez.



A partir da hora em que uma banda começa a compor - e mais ainda - a mostrar o seu material para o público, nasce uma vontade conjunta - da banda e do público - de se perpetuar essa obra, ao mesmo tempo atendendo aos muitos pedidos, cada dia mais numerosos, das pessoas e que acabam se interessando e até mesmo "cobrando" um cd: 



"Que massa as suas músicas! E aí, vocês não tem um "cedêzinho" pra gente comprar?"



Gravar é um passo natural. É a continuidade do processo de criação.



O CD Demo da RURAL WILLYS, ainda sem título, foi pensado para incluir nossas 9 composições, e uma versão acústica para uma delas. O processo de gravação de tantas músicas, mesmo sendo um cd demo independente e não um produto de gravadora comercial, é complexo e se estende por vários dias, ainda mais quando sujeito a limitações de horário (afinal, todos da banda trabalham em outros empregos) e de recursos (toda gravação envolve um CUSTO, e não é fácil arrecadar esse dinheiro, ainda mais fazendo rock e blues em uma cidade do interior).


Essa é apenas uma introdução. Espero que vocês gostem de ler e acompanhar conosco, passo a passo, a aventura de se produzir um cd com poucos recursos mas muita vontade e talento.

Um grande abraço a todos.