segunda-feira, 9 de julho de 2012

PRIMEIROS PASSOS.



Gravar não é o simples processo de apertar o "REC" e mandar ver. Por outro lado, já foi muito mais difícil. E infinitamente mais caro. 



Vivemos uma época onde a tecnologia e os processos de gravação facilitaram a obtenção de bons resultados em home studios, com o uso de um notebook, uma interface e alguns programas e plugins.



Aliás, as primeiras músicas da RURAL WILLYS foram registradas exatamente dessa forma, em um quarto sem tratamento e com o uso de baterias programadas ou de uma bateria eletrônica conectada ao notebook. O resultado foi, como podemos dizer, apenas satisfatório. Não nos envergonhou, mas também não conseguimos capturar a essência e a energia da banda. Por isso a decisão de se partir para um estúdio.


Muitas pessoas possuem o equipamento e o conhecimento necessários para se fazer uma excelente gravação. A coisa se torna muito mais fácil quando se trata de um disco solo de um músico, basta acessar sites como o YOUTUBE para conhecer uma multidão de pessoas expondo suas criações, geralmente solos de seu instrumento acompanhados por um playback, por um ritmo pré gravado. Isso é válido. Mas não funciona tão bem, ao meu ver, quando se trata de uma banda.

Muitas bandas conseguem resultados incríveis com a bateria pré-gravada, ou com a bateria montada eletronicamente. Nós, particularmente, sentimos muito a falta daquela característica orgânica do som, dos pequenos detalhes HUMANOS que fazem a diferença na levada, no ritmo, na criatividade. Do timbre e do ambiente, da pressão do som de uma bateria gravada em estúdio. Dos pequenos erros e acertos que transmitem ao som, a personalidade do músico.

A escolha do estúdio, então, se sujeita a uma infinidade de questões técnicas, mas, no fundo, as mais decisivas envolvem aspectos financeiros. Uma vez tomada a decisão, capitalizar a banda é sempre a decisão mais acertada. Muitas bandas entram em estúdio (naqueles que ainda se arriscam a essa prática) procurando gravar "no pendura". E se descobrem, no final de tudo, falidas. Muitas vezes prejudicando profissionais dedicados nesse processo. 



Nós decidimos, desde o começo, guardar TODO o dinheiro arrecadado com nossas apresentações, visando possuir fundos para a gravação. E, mesmo após 2 anos de economia, descobrimos que tudo o que tínhamos não pagaria metade dos custos de gravação e mixagem em alguns estúdios aqui da região. 



ENSINAMENTO nº 1: pesquisar preços e traçar metas é muito válido. Assim como é mais sensato, no caso de bandas como a nossa, que não vivem do seu trabalho, guardar o valor integral do cachê de uma apresentação do que diluí-lo entre todos os componentes.



Uma vez "capitalizada", o segundo passo é encontrar um estúdio que se adeque, em custo e benefício, às necessidades da banda. Vale procurar aquele conhecido que já gravou ou trabalha em um estúdio, pesquisar sobre as gravações das bandas de sua região que possuam um estilo semelhante, pedir a opinião de pessoas do meio artístico e até mesmo buscar na internet.  Afinal, um estúdio distante de sua cidade inclui, implicitamente ao custo de gravação, gastos com transporte, alimentação, às vezes até mesmo hospedagem.

A maioria dos estúdios trabalha com períodos de gravação. Alguns cobram por períodos de 4 horas, outros cobram por hora. Muitos fazem preços promocionais por "pacotes". Isso é super útil.



Encontrado o estúdio, nada melhor do que uma visita ao local. Olhar a conservação e qualidade dos equipamentos (olhar além da "MARCA"), o espaço, a facilidade de acesso, conversar com as pessoas que ali trabalham, tudo isso é importante. 



O conhecimento e o olhar, a opinião de uma pessoa "de fora da banda" que esteja diretamente envolvida no processo de gravação, também são muito importantes. Muitas vezes, mais importantes até do que a mera qualidade e quantidade dos equipamentos de um estúdio. Afinal, mais vale a experiência, o conhecimento e o domínio que a pessoa por trás da mesa de som possui daquilo à sua disposição do que um técnico mediano e sem criatividade perdido entre equipamentos caríssimos ou de última geração.

Em se tratando de bandas pequenas e independentes, isso é um imenso diferencial. Ainda mais quando o operador de som e o produtor musical se mesclam em uma só pessoa, como acontece nos pequenos estúdios.ENSINAMENTO nº 2: mais vale um bom profissional com equipamentos medianos do que um profissional "mais ou menos" com equipamentos de última geração. Ter humildade para escutar a opinião alheia também é importante.

Capitalizada a banda, escolhido o estúdio, feito o "reconhecimento do terreno", o próximo passo é a ORGANIZAÇÃO. A gravação de uma única música é um processo diferente da gravação de uma série de músicas que serão reunidas em um mesmo CD. Tudo precisa soar COESO. 

Muitas bandas preferem gravar "música a música", mas nem sempre isso é o mais sensato. Muitas vezes é necessário OTIMIZAR o tempo disponível, gravando várias faixas do mesmo instrumento, de maneira a aproveitar a montagem dos equipamentos, o posicionamento de microfones (no caso das guitarras e bateria) e muitos outros detalhes aos quais retornaremos nas próximas postagens.

Nós decidimos dividir a gravação do cd em blocos. Escolhemos 4 músicas para o primeiro, 4 para o segundo e 2 ou 3 músicas para o último.

Nem sempre uma gravação pode ser feita com a banda "internada" em um estúdio. A disponibilidade de horários dos membros da banda e do estúdio é muito importante. Organizar o "calendário" também é super válido.

Isso feito, vale dizer que a banda precisa DOMINAR as suas músicas. Estar com tudo muito bem preparado e ensaiado. possuir a noção exata de como quer que sua música soe. Dos TIMBRES.

Estar acostumada com os tempos (bpm) de cada uma delas, e cada músico deve estar confortável com seu instrumento e com o arranjo que desenvolveu. Na hora da gravação, mais vale "simplificar" uma linha do que "complicar" a coisa toda. A firmeza na execução é muito importante. Não raro, muitos músicos iniciantes ou despreparados aparecem em um bom estúdio com equipamentos de última geração, portando instrumentos caros, e não "entendem" por que o som não está saindo legal... e ainda colocam a culpa no técnico!

ENSINAMENTO nº 3: Ensaiar é ECONOMIZAR. Organizar é ECONOMIZAR. O estúdio é o lugar onde cada detalhe do seu som, da sua execução, será amplificado ao máximo. Insegurança e incapacidade possuem seu preço em horas de estúdio e se refletem diretamente no "produto final".


         
Da esquerda p/ direita: Iliandro (Bagui), Luiz Paulo, Paulo Henrique, Gustavo e Nick.



A Rural Willys escolheu o estúdio BAGUI SONS, de Varginha. Custo-benefício que se encaixa como uma luva às nossas exigências e expectativas. Muitas bandas bacanas da região já gravaram e ensaiaram lá.

Estamos sendo atendidos pelo Bagui e pelo Paulo Henrique, o mix de "produtor e técnico de som" que está usando todo o seu conhecimento pra que as nossas músicas fiquem exatamente como sonhamos.

Nos próximos posts, vou começar a descrever o dia a dia das gravações. 











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